Bem-Vinda(o)!

O CRP 01/DF está de cara nova!

Mas se você quiser ainda é possível acessar o site antigo no menu acima


ORIENTAÇÕES POR CAMPO DE ATUAÇÃO: EDUCAÇÃO

ORIENTAÇÕES POR CAMPO DE ATUAÇÃO: EDUCAÇÃO


Os fenômenos humanos, como é o processo de ensino-aprendizagem, ocorrem em determinados contextos, a partir de possibilidades materiais e culturais organizadas historicamente pela sociedade. Nesse sentido, entendemos que os processos escolares são perpassados e constituídos por aspectos econômicos, políticos, culturais, sociais, ou seja, se constituem e estão intrinsecamente vinculados à realidade social. Assim, considerando o momento atual de pandemia do Novo Coronavírus (Covid-19), com escolas fechadas e recomendações de distanciamento social, é importante, além dos aspectos de prevenção e cuidados pessoais, que as psicólogas e os psicólogos escolares possam refletir sobre essa situação, bem como seus impactos nos processos escolares e nas subjetividades de todos os envolvidos. É nesse sentido que o CRP, traz, a seguir, algumas possibilidades de ações e reflexões para as(os) psicólogas(os) que atuam em escolas, seja para esse momento de escolas fechadas, seja para o retorno das atividades presenciais. Essas sugestões levam em consideração o compromisso ético-político da psicologia na defesa de uma educação de qualidade para todas e todos, entendendo que momentos de crise muitas vezes podem favorecer soluções aligeiradas que contribuam para a exclusão de parte significativa de nossos estudantes. 

Às psicólogas e aos psicólogos que atuam em escolas, orientamos:

  1. Lembrar de nosso papel fundamental no que se refere à psicoeducação frente a situações como uma pandemia. A(o) psicóloga(o) que atua na escola é um dos atores que colabora, em conjunto com os demais educadores, para os processos de formação continuada dos profissionais da educação e da comunidade escolar. Não há respostas prontas à crise do coronavírus, mas podemos fornecer ferramentas para a produção de materiais e informações focadas à população atendida pela sua escola. Nesse sentido, as informações precisam ser acessíveis de maneira a incluir todos os estudantes e familiares, em suas diferentes condições, no processo de conscientização. Podemos assim, colaborar para a seleção e adequação de material de acordo com a etapa e modalidade de ensino no qual estamos inseridos. Podemos contar com os materiais produzidos pelo Sistema Conselhos e por outras instituições como Ministério da Saúde, Fiocruz etc.;
  2. Podemos propor, sempre de forma colaborativa com os demais atores escolares, momentos de reflexão junto à comunidade escolar sobre os impactos das ações governamentais e políticas públicas nas possibilidades individuais e coletivas de cuidado e prevenção. É importante discutirmos sobre como questões de raça, classe, gênero, idade e deficiência estão sendo devidamente consideradas nesse momento de crise;
  3. A situação de pandemia afetou significativamente a vida dos estudantes e seus familiares. Com mais tempo de convivência entre crianças e seus cuidadores, em um espaço limitado, é possível o aumento da tensão e de conflitos. Podemos contribuir na divulgação de informações às famílias, com sugestões de materiais e atividades que colaborem na organização das rotinas familiares;
  4. A escola pode ser um ponto de apoio e suporte nesse momento; nesse sentido, é possível acompanhar a comunidade escolar por meio de tecnologias da informação, tais como telefone ou internet, exceto em situações de crise ou nas quais você avalie, junto a seus colegas, que a intervenção presencial não pode ser evitada. Lembre-se que para atender à distância é necessário realizar o cadastro on-line, seguindo o disposto na Resolução CFP nº 11/2018;
  5. O planejamento das atividades para esse período é muito importante. Entretanto, evite reuniões presenciais e procure realizar reuniões entre serviços ou intersetoriais por vídeo ou audioconferência. Caso sejam necessárias, que sejam realizadas com distância segura entre todas e todos e de preferência em ambientes abertos ou arejados;
  6. É importante considerarmos que essa é uma situação passageira, e, portanto, devemos pensar possibilidades de ações para o retorno às aulas. O acolhimento nesse retorno, construído de forma colaborativa com os gestores e demais profissionais da escola, poderá ter impactos no restante do ano letivo. É importante permitir que os estudantes e os profissionais da educação se expressem sobre seus medos, sobre o isolamento, suas ansiedades e perdas. Rodas de conversa, desenhos, jogos, brincadeiras, são algumas das possibilidades. O importante é permitir o diálogo, a informação e o acolhimento;
  7. Procurar manter-se atualizado por meio de fontes seguras de informação e reduza a leitura de informações superficiais, inconsistentes e que apenas aumentam a ansiedade. Estar bem informado também nos dá maior segurança para atuar;
  8. Contribuir com a promoção e cuidado em saúde mental da sua equipe, acolhendo e escutando aos demais profissionais, bem como contribuindo com a construção de um ambiente de trabalho colaborativo e empático;
  9. Cuidar de você, reconheça seus limites e peça ajuda sempre que sentir necessidade. Fique atento para o uso abusivo de medicamentos, álcool e outras drogas. Tente manter uma rotina de modo que possa dormir a quantidade de horas necessárias para sentir que descansou;
  10. Aos que estão em quarentena, pensar nas atividades que gostava e fazia antes da quarentena e adapte-as a este novo cenário para que possa mantê-las, dentro do possível. Lembre-se que apresentar ansiedade, insegurança, medo, confusão, letargia é comum em situações como esta – e que não estamos imunes, mesmo sendo psicólogas(os).