MARIAS COM DORES ENCONTRAM AMPARO NA PENHA

MARIAS COM DORES ENCONTRAM AMPARO NA PENHA


Por Catarina Gouveia (CRP 01/19039)*

Publicado originalmente em 07/08/2019

"Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes, você terá que se manter vigilante durante toda a sua vida."

Simone de Beauvoir.

Essa Maria era da Penha. Maria que deu voz às Marias das Dores, das Neves, do Amparo, do Socorro, às Bias, às Anas, às Andreias, Carlas, Terezas. Sua trajetória de dor e vida construiu um lugar de possibilidade de amparo e socorro na busca da glória de viver outra história diferente de tantas iguais, de repetidas violências e desamor.

Eu sendo uma entre tantas mulheres, que convive diariamente com a cultura machista e abusiva que se apresenta em diversos lugares de nossas histórias de vida, e por sentir um enorme medo do cenário de autorização do abuso e do desrespeito na atual conjuntura político-social, convido a todas nós mulheres a reiterar o compromisso de “meter a colher em briga de marido e mulher”, de não ficar atrás de nenhum grande homem, de gritar por não gostar de apanhar e afirmar que uma tapinha pode doer.

Comprometo-me a respeitar (sem julgar) o tempo que cada Maria precisa para identificar os mantenedores de suas relações abusivas, de acolher cada dor com o cuidado que se deve ter, de brigar para que possamos cada dia mais ser respeitadas e validadas no mundo.

No exercício da minha profissão, também me comprometo a acolher as mulheres que sofrem com as violências descritas em Lei tais como a violência patriarcal, a violência sexual, a violência física, a violência moral e a violência psicológica.  Convido a todos a se comprometer, e honrar a conquista que a Lei trouxe, e de não deixar cair em desuso quando for necessária na proteção de cada uma em situação de violência.

Feito meu compromisso, venho festejar mais um ano da sanção da Lei Maria da Penha – Lei n º 13.827/19.

*Catarina Gouveia (CRP 01/19039)

Nasceu em Recife, mora em Brasília, possui graduação em Psicologia pela Universidade Paulista e pós-graduação em Psicologia Clínica – humanista, fenomenológica e existencial pelo Centro Universitário de Araraquara. Atualmente é psicóloga na Clínica AME e na Clínica Diálogo e faz atendimentos particulares. Atuou como coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da Cidade Estrutural.