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TIME OUT ROCK BAND: O AUTISMO NA CENA CULTURAL BRASILIENSE

TIME OUT ROCK BAND: O AUTISMO NA CENA CULTURAL BRASILIENSE


O sonho de rock star une os sete jovens da banda Time Out, criada por um grupo de psicólogos que viu na neurodiversidade uma oportunidade de transformação social por meio da inclusão

 

João Daniel Simões tem apenas 13 anos e canta numa banda de rock, ao lado dos vocalistas Ivan Madeira Sapha (15 anos) e João Gabriel Mello (14). Também compõem a Time Out Rock Band o baterista João Henrique Lopes (18), o guitarrista Thiago Carneiro (22), o baixista Marcelo Bacelar (18) e o tecladista Matheus Winkler (13). A pouca idade não é o que mais impressiona. Talentosos e cheios de afazeres pessoais, os sete enfrentam o desafio de viverem a fase da adolescência, já complexa para a maioria das pessoas, com o diagnóstico de autismo.

De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DMS-5), o Transtorno do Espectro Autista é definido pela presença de deficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos. A terapia psicológica é amplamente indicada para esses pacientes. Mesmo sendo necessárias, as propostas terapêuticas podem se tornar um pouco cansativas ao longo do tempo. Pensando nisso, o Coletivo Nós – composto por quatro psicólogos que atuam com análise do comportamento e desenvolvimento atípico – criou a banda Time Out (tempo fora, em inglês). O objetivo era justamente proporcionar aos pacientes com neurodiversidades um tempo de qualidade fora dos atendimentos terapêuticos.

Os processos terapêuticos, no entanto, não ficam completamente de fora do projeto, primeiramente porque, de acordo com os psicólogos (Paolo Rietveld, Carolina Passos, Raisa Saijo e João Guilherme Videira, que trabalham voluntariamente neste projeto) a evolução clínica dos garotos é notória. “Fazendo um comparativo técnico das relações entre eles, o crescimento é incrível!”, comemora Carolina, “hoje eles saem juntos, são amigos entre si, quando estão de férias se ligam… então as relações foram fortalecidas e o trabalho coletivo também”. Ela conta que os músicos hoje já conduzem os trabalhos da banda de forma bem mais independente e empoderada. “Eles comandam os ensaios, sugerem as músicas, pesquisam, cobram uns dos outros… eles desenvolveram um repertório de grupo muito legal, de funcionar em grupo, de ajudar o colega...”, relata a psicóloga.

Além dos avanços pessoais, há progresso em relação a quem convive com a banda e ao público que a assiste, já que o Coletivo Nós trabalha com o conceito de Terapia Cultural, voltado para inclusão social. “Queremos, através da Time Out e de outros projetos que a gente tem, ocasionar mudanças culturais em relação à visão das pessoas sobre o autismo, além de chamar atenção para a importância da empatia. A cada show que a gente faz, tentamos promover pequenas mudanças nas pessoas, para que depois esse público consiga ver o autismo e outros quadros com um novo olhar”, destaca Paolo, um dos coordenadores do projeto, que é pioneiro no trabalho inclusivo de autistas, por posicionar a Time Out no cenário musical brasiliense, em meio às demais bandas de rock. “A Time Out quer tocar em lugares em que qualquer outra banda pode tocar”, diz o psicólogo, lembrando que normalmente a banda é convidada para tocar em congressos, seminários ou eventos sobre autismo e que, geralmente, os projetos que envolvem pessoas com neurodiversidades subestimam um pouco essas pessoas. Neste propósito, a banda já tocou no pub O’rilley, no MotoCapital e em outros eventos, integrando a line-up junto com as outras bandas. Nesta quinta-feira (14), a banda Time Out se apresenta às 20h, na cervejaria Criolina, no SOF Sul, onde será exibido também um documentário sobre o projeto e a banda, produzido pela Netflix.

Por onde passa, a banda costuma provocar surpresa e emoção, além de desarmar o público, que não espera ver os garotos autistas na posição de músicos. “No MotoWeek [evento de motociclistas em que a Time Out tocou, no ano passado] a comoção ficou estampada nas reações e nas feições do pessoal, que até chorava! Foi surreal!”, relembra o psicólogo João Guilherme, que faz planos para a banda: “para um futuro próximo, a gente pretende gravar o clipe da música Hey You, primeira música autoral da banda, que inclusive já foi gravada, além de continuar fazendo shows”.

O compositor da primeira música de trabalho da Time Out é João Daniel, autor também dos jargões “A vida não é assim!” e “A vida é difícil!”, presentes em Hey You. Para ele, conciliar todas as atividades do dia é um desafio maior do que tocar na banda. “Além da escola, faço bateria, judô, natação, canto… é por isso que a vida é difícil! Acho fácil cantar na banda”, opina o músico, que convida a todos para o show da próxima quinta (confira o vídeo).

 

João Daniel Simões (13 anos), vocalista da Time OutDaniel Simões (13 anos), vocalista da Time Out

Psicólogos do Coletivo NósPsicólogos do Coletivo Nós

 

Confira as fotos do show de 14/02/2019, na Fan Page do CRP 01/DF no Facebook!

 


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