CRP 01/DF ENVIA PSICÓLOGA A BRUMADINHO-MG – CONFIRA OS RELATOS

CRP 01/DF ENVIA PSICÓLOGA A BRUMADINHO-MG – CONFIRA OS RELATOS


“A maior parte dos corpos ainda não foi encontrada, causando desespero, cansaço, esgotamento e o sentimento torturante da falta de informação”, diz a profissional em atendimento à população local após a tragédia que chocou o país neste fim de semana

A psicóloga Rosana Dorio Bohrer*, membra voluntária do Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP 01/DF), está desde a noite de segunda-feira (28) em Brumadinho-MG, região metropolitana de Belo Horizonte onde a barragem de rejeitos da mineradora Vale do Rio Doce se rompeu, na última sexta-feira (25). Rosana foi prestar apoio aos envolvidos no desastre, já que possui profundo conhecimento e ampla experiência no trabalho de mitigação de danos humanos pós-tragédias. Ela tem ajudado as equipes que coordenam a crise no local, a fim de levantar outras necessidades dentro da condição de acolhimento psicológico, tanto voltado para as vítimas, quanto para as famílias, as equipes atuantes e a população local.

Rosana destaca que se trata de uma tragédia bastante específica, no sentido da dimensão geográfica que abrangeu, o que implica nas características do atendimento psicossocial a ser feito. “As pessoas estão espalhadas, assim como seus problemas”, conta, “após cinco dias, a maior parte dos corpos ainda não foi encontrada, o que vem causando inúmeros desafios, além de desespero, cansaço, esgotamento e o sentimento torturante da falta de informação – não porque as equipes não as repassam, mas porque não há informações”, explica.

A psicóloga se uniu à ONG Naação, que não só tem apoiado o trabalho do CRP 01/DF, como tem atuado de forma ética, buscando o conhecimento técnico de Rosana e de outros profissionais de Psicologia e Assistência Social. “Ontem tivemos a oportunidade de atender três bombeiros, bastante desgastados. Apesar de motivados com a causa, há o receio de não poderem aliviar o sofrimento e o medo da população, que aumenta a medida que o tempo passa”, destaca Rosana. Junto com a ONG Naação, a psicóloga tem atendido pessoas no centro de convivência, no posto de saúde, nos sepultamentos e diretamente nas casas e nos abrigos. “A comunidade de agricultores de Parque das Cachoeiras está extremamente abatida. Eles viram tudo, perderam suas terras, alguns perderam suas casas, outros não, mas todos perderam a capacidade de sustento”, lamenta.

É uma cidade pequena onde a maioria dos habitantes está envolvida com a própria empresa [Vale], então o povo tem uma ligação entre si e se apoia muito. No mesmo sentido, sofre muito também. Até os que não foram atingidos diretamente e não tiveram perda material ou humana, estão em um sentimento de susto e medo muito grande, pois se não é com eles, é com alguém que eles conhecem”, relata Rosana.

Desde o ocorrido na Mina Feijão, as equipes de busca trabalham a procura das vítimas, que somam até o momento 84 mortos (sendo 42 identificados), 276 desaparecidos e 192 resgatados com vida (informações do G1), mas os danos humanos e prejuízos econômicos e ambientais provocados pelo rompimento da barragem de Brumadinho estão longes de serem contabilizados. Sensibilizado pelos impactos decorrentes da tragédia, o Conselho Regional de Psicologia do DF se compromete em manter os profissionais de Psicologia informados, por meio dos canais oficiais de comunicação.

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*Graduada em Psicologia, possui pós-doutoramento em Filosofia da Educação (UFSM-RS) e doutorado em Psicologia Clínica (PUCSP) no tema Luto em Situações de Catástrofes. Mestre em Psicologia Social (PUCSP) no Estresse Pós-Trauma Após Acidente Aéreo. Possui extensão em Pesquisa e Intervenção em Luto, Separações e Perdas, Intervenções Psicológicas em Emergências e Desastres, e cursos de Extensão em Prevenção e Investigação de Acidentes Aéreos. Atua há mais de 20 anos na prevenção e recuperação de catástrofes, em órgão governamentais e não-governamentais. Foi fundadora e primeira presidente da Associação Brasileira de Psicologia em Emergências e Desastres. Atuou diretamente na resposta às crises dos afetados pelos acidentes aeronáuticos 1907 e 3054; em casos de violência em comunidades; na tragédia da cidade de Três Passos e com a comunidade de Santa Maria, após o incêndio com a Boate Kiss, onde é coordenadora da comissão organizadora do Janeiro 27. É psicóloga clínica e professora de graduação, além de atuar como membro convidado da Comissão de Orientação e Ética no CRP 01/DF.


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