Comissão Especial LGBT do CRP 01/DF marca presença no 14º Seminário LGBT do Congresso Nacional

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Com o tema “TRANSição cidadã: Nossas Vidas Importam”, evento foi realizado na Câmara dos Deputados

O Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP 01/DF), por meio de sua Comissão Especial LGBT, marcou presença na última terça-feira (13) no 14º Seminário LGBT do Congresso Nacional: TRANSição cidadã: Nossas Vidas Importam.

Na oportunidade, foram discutidos temas relacionados às pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans, travestis e não-binárias, com especial atenção neste ano para as pessoas trans.

Entre os assuntos debatidos estavam reformas constitucionais, desmonte do Estado de proteção social e os impactos na cidadania LGBT.

O CRP 01/DF conversou com algumas pessoas presentes no evento:

“No âmbito da Psicologia, estamos enfrentando um ataque à nossa Resolução CFP nº 01/1999, e a participação do Conselho de Psicologia, dentre outras questões, é fundamental para indicar representantes para estar aqui falando da resolução e dos ataques que estamos sofrendo por representantes desta Casa [Câmara dos Deputados]. Enquanto psicólogos, nós trabalhamos com pessoas, nós trabalhos com vidas, e esse é o nosso papel também. “

Thiago Magalhães, psicólogo e coordenador da Comissão LGBT do CRP 01/DF

“É extremamente importante que a população LGBT venha discutir as políticas públicas porque só conseguiremos avançar nos nossos direitos quando, de fato, começarmos a ocupar todos os espaços. Nós estamos aqui para discutir com eles [os parlamentares], apresentar o nosso posicionamento, mostrar os caminhos que nós trilhamos, quem somos, como vivemos, o quanto sofremos. O conservadorismo que estamos vivendo está tirando das pessoas a sua dignidade porque, quando não somos reconhecidos, perdemos a nossa dignidade.”

Alisson Prata, presidente da Associação Ceilandense de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis do Distrito Federal (ACLGBT/DF) e membro do Conselho de Direitos Humanos do DF.

“Esse é um debate importante. As próprias pessoas trans sabem por onde caminhar, sabem exatamente qual é a luta. Então é de suma importância sempre trazer esse debate à tona.”

Zezinho Prado, presidente do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT)

“É fundamental esse tipo de espaço para discutir e, principalmente, para permitir a articulação de diversos setores que agem nessa linha de frente da promoção e proteção de direitos da população LGBT, que hoje é uma das mais vulneráveis.”

Lucas de Alencar Oliveira, membro da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero do Conselho Nacional da OAB.

“A importância de estarmos aqui é mostrar que o nosso Conselho, em conformidade com o que está sendo pautado nesse seminário, também está inserido na luta pela despatologização das identidades trans.”

Felipe de Baére, psicólogo e membro da Comissão LGBT do CRP 01/DF

“Essa discussão nos toca especialmente no papel de psicólogos no sentido de fazer a gente repensar o quanto determinados fatores que são estruturais, que fazem parte da nossa socialização, eles não podem ser encarados, sobretudo na prática da clínica psicológica, como fatores que fazem parte do repertório individual . Quando a gente encontra uma pessoa, não posso reconhecer que um sofrimento que é ordem do racismo e, de repente, eu vou atender uma pessoa negra, não posso entender que aquilo é um problema de autoestima dela. Essa psicopatologização que às vezes negligencia ou ignora elementos estruturantes e estruturais da nossa formação identitária. Eu faço essa analogia para pensar o quanto os processos LGBTfóbicos da sociedade vão incidir no processo de subjetivação de cada pessoa e que isso vai ser carregado com inúmeras outras variáveis, com a história de vida, de qualquer LGBT. E, de repente, você pensar na Psicologia enquanto ciência e enquanto profissão, o quanto as nossas produções têm uma implicação imediata na vida de pessoas. Literalmente é uma questão de vida ou de morte. Hoje no Brasil a gente tem mais pessoas morrendo de LGBTfobia do que em países onde essas condições são criminalizadas e suscetíveis a punição, à pena de morte. E isso é grave.”

Larissa Vasques, psicóloga e membra da Comissão LGBT do CRP 01/DF

“O movimento LGBT vive um momento de ampliar as suas representatividades. Algumas letras dessa sigla têm sido historicamente invisibilizadas. Quando você traz para o centro do debate a questão da transexualidade, da travestilidade, da transgeneralidade, você dá condições para que esse debate tenha visibilidade na sociedade e que você possa mobilizar os atores, sujeitos do ativismo, do movimento social LGBT para também se empoderar, se informar sobre essa temática, e para organizar a luta nessa área, para que possamos avançar nas políticas públicas para a população trans, pressionando o Estado para a regulamentação de leis, como é o caso do DF, da lei que combate a homofobia, para trazermos isso para a agenda do movimento LGBT.

Fábio Félix, assistente social e ativista LGBT

“Precisamos falar que nós existimos e que precisamos de políticas públicas de segurança, trabalho, emprego, renda, educação.”

Douglas Alves, militante do movimento LGBT

“A gente trata de ocupar um espaço que durante décadas nos renega. Renega a pauta LGBT, renega o reconhecimento da orientação sexual fora do padrão heteronormativo e renega ainda mais a questão da identidade de gênero. Esse é um movimento de ocupar um espaço que é do povo e, portanto, também nosso. E é um espaço para debater com diferentes pessoas, com acadêmicos, professores, militantes, pessoas que viram o evento em uma propaganda e resolveram participar. Para a gente dialogar e desenvolver essas ideias.”

Janaina Oliveira, membra da Rede Nacional de Negros e Negras LGBT

“É importantes debatermos entre nós militantes e representantes de redes nacionais e também, diante dessas discussões, avaliarmos como podemos nos articular para que as leis aprovadas possam trabalhar a favor da população. Esse seminário acontece há 14 anos. É um seminário de resistência nessa casa em que a maioria segue uma linha conservadora. Precisamos sobretudo avançar com essas pautas aqui dentro onde as leis acontecem.”

Henrique Elias, secretário-geral da Articulação Brasileira de Jovens Gays e presidente da União Brasiliense LGBT

“Estar nesse lugar é dizer que queremos mudança, estamos lutando por mudança e cada vez mais é preciso que a gente fale e conquiste novos espaços.”

Alexya Salvador, professora, pastora e militante LGBT

“Esse movimento inclusivo da Psicologia se potencializa em eventos como esse, que são a janela daquilo que temos feito no dia a dia na Psicologia. Essa é a grande diferença. Reconhecer qualquer grupo social das diversas dimensões de diversidade como grupos dignos e, então, viáveis de vida e valorização como quaisquer outros.”

Jaqueline Gomes de Jesus, psicóloga e professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro

“Temos hoje aqui famílias, mães de pessoas LGBT que também sofrem com toda essa violência que a gente tem vivido, todos os receios e os medos por que passam nossos filhos diariamente. E esse é um movimento de resistência.”

Suzana, membra do Movimento Mães pela Diversidade

“Hoje nós lutamos para existir, para acessar políticas públicas, para ter o respeito de nossas famílias e do Estado perante as nossas pautas. E o seminário vem no sentido de discutirmos esse direito básico: o direito de existir. Para além de tentarmos compreender os seres humanos, precisamos respeitar as suas diferenças e as diferenças não podem ser sinônimo de desigualdade. “

Ana Carolina da Silva Silvério, gerente do CREAS Diversidade, que trabalha com a população LGBT e com a diversidade étnica e religiosa

“Como trans, temos demonstrado uma força ímpar. Durante tantos anos vivemos em um mundo de tanta violência e invisibilidade e hoje nós tomamos isso na luta contra o conservadorismo. Que essa luta dê resultados para outras gerações para que elas possam usufruir dos direitos que estamos tentando garantir hoje.”

Melissa Massayury, estudante e ativista do movimento LGBT