
Para discutir os desafios do profissional de psicologia na saúde suplementar foi convidada Sandra Mare Coelho, psicóloga que atua em planos de saúde. Sandra explicou que esta área ampliou seu campo recentemente sendo que, nos últimos 30 anos, não havia um órgão para regulamentar o setor. Cada empresa tinha autonomia para estabelecer valores e não tinha cobertura para saúde mental ou psiquiatria. Segundo Sandra, foi a lei 9961/00 que estabeleceu a Agência Nacional de Saúde (ANS) como órgão federal de normatização, controle e fiscalização da saúde suplementar.
Sandra apresentou a legislação vigente sobre o tema, incluindo a Consu 11, que trata da cobertura que os planos devem dar aos tratamentos de todos os transtornos mentais classificados, incluindo consulta psiquiátrica. Outra novidade foi a “psicoterapia de crise”, um atendimento intensivo prestado por um ou mais profissionais da área da saúde mental, com duração máxima de 12 (doze) semanas, tendo início imediatamente após atendimento de emergência e sendo limitada a 12 (doze) sessões por ano de contrato. “Ainda não é o ideal, mas já temos uma regulamentação”, lembra.
Segundo dados do CRP-06, citados por Sandra, 75% das prestadoras de planos de saúde exigem encaminhamento médico para tratamento psicológico. Ela cita também que, atualmente, são 51 milhões de pessoas inscritas em planos de saúde, sendo que, em número de inscritos, o Brasil só perde para os Estados Unidos.
“Hoje os planos tem a intenção de atingir todas as classes e oferecem um menor valor com muita lucratividade. Porém, aos psicólogos, alguns pagam um valor menor do que o honorário previsto pelo Conselho”, afirma Sandra.
Diferenças e sugestões
Outra questão apresentada pela psicóloga foi o foco na doença dentro de um modelo médico. Sandra argumenta que tratamentos baseados em exames e tratamentos imediatos não se aplicam à psicologia e que os planos de saúde devem compreender isso. “Isso demonstra o desconhecimento da profissão. Precisamos mostrar nosso trabalho, pois o valor é tabelado pelo valor médico, que atende mais pessoas por hora”.
Sandra faz algumas sugestões para mudar esse quadro: conhecer as leis, pelo menos o código de ética; saber a legislação envolvida na atuação dos profissionais em convênios, para conseguir fazer negociações e apresentar propostas; e começar a divulgar as ações bem sucedidas do cotidiano profissional. Além disso, ela fala sobre a importância de se debater essas questões entre os psicólogos em eventos e fóruns de discussão e termina sua apresentação incentivando os profissionais a agir: “Precisamos nos mobilizar! Tem plano que paga 18 reais, e tem psicólogo que aceita! Temos de rever como podemos influenciar a normatização e a legislação vigente de forma a garantir maior autonomia e acesso ao trabalho do psicólogo.”
Com base nesse questionamento, o psicólogo perito da Câmara dos Deputados, Gustavo Volker Luedemann, reforçou que não há necessidade que o médico indique o paciente ao psicólogo. “Isso é intromissão em outra área de conhecimento. O tratamento é diferente”, explica.