Nota do CRP 01/DF sobre coberturas jornalísticas de casos que envolvem saúde mental

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Conforme preconiza o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, “a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão”.

Em decorrência de episódios envolvendo questões relacionadas à saúde mental, temos visto um esforço dos veículos de comunicação para informar a população sobre temas de relevante interesse público, como é o caso de transtornos psíquicos e situações nas quais pessoas chegam a atentar contra a própria vida ou a de terceiros.

A abordagem utilizada pelos profissionais de mídia, no entanto, deve ser criteriosa e pautada pelo respeito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão, de forma a não colocar em risco a sua integridade, bem como a integridade de pessoas do seu meio social, como familiares, amigos e colegas de estudo ou trabalho.

O Código de Ética Profissional é taxativo ao destacar que o jornalista deve “combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza”.

O Código também ressalta que “o jornalista não pode expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais”, lembrando ainda que “o jornalista não pode divulgar informações de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes”.

Noticiar uma tentativa de suicídio ou mesmo suicídio consumado não gera mais tentativas como se acredita. A diferença é como essa notícia é veiculada. Expor detalhes da vida pessoal, como integrantes da família ou endereço, só geram exposições desnecessárias. O que não se recomenda é detalhar métodos, pois se torna aprendizagem de como lidar com o sofrimento e não de como superá-lo.

O sofrimento é inerente à nossa vida. Muitos são evitáveis, mas muitos nos desafiam a sermos pessoas melhores e amadurecidas. Por que não veicular também sobre como podemos superar as adversidades da vida?

A imprensa é uma importante parceira dos profissionais de Psicologia no compartilhamento de informações de relevante interesse público, ampliando o acesso aos direitos sociais e às políticas públicas, diretrizes que também pautam a atuação dos psicólogos. A promoção de saúde mental em nosso país depende do esforço conjunto e do compromisso das diferentes categorias profissionais.

Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal – CRP 01/DF

Acesse aqui o Manual de Prevenção ao Suicídio para Profissionais da Mídia elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).