Nota de apoio à Universidade de Brasília

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É com profundo pesar que lamentamos a interrupção de mais uma jovem vida em meio a seu processo de aprendizagem. Nessa segunda, uma estudante da Universidade de Brasília (UnB) veio a óbito após tentativa de suicídio. Pouco se sabe sobre sua situação emocional bem como acadêmica, contudo este fato desperta vários olhares especiais: um olhar especial para o sofrimento; um olhar especial para saúde mental dos estudantes (seja de qual for a idade); um olhar especial para a saúde mental dos professores e, principalmente, um olhar especial para a educação e seu processo de aprendizagem.

O Brasil é o 8º país no mundo em incidência de suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 32 pessoas cometem suicídio no Brasil a cada dia. Os motivos são vários: doenças mentais maltratadas (como depressão, esquizofrenia, bipolaridade), uso de drogas ilícitas de forma contínua, casos de violência na família, vulnerabilidade social, laços afetuosos frágeis, mudanças bruscas, eventos estressores, dentre vários outros.

Um suicídio de estudante não tem sido um caso isolado, infelizmente. Sabe-se que os períodos de escola e faculdade são marcados por muitas novidades, como novo ciclo social e novos aprendizados. Porém, de que maneira os jovens estão envolvidos nesse processo de aprendizagem? Os relatos são de ansiedade elevada, medo de errar, medo de frustrar, discursos de excelência, muitas horas de dedicação, noites mal dormidas e pouco espaço para o  cuidado. E, quando expõem o sofrimento vivenciado, muitas vezes não se sentem acolhidos ou respeitados. É preciso escutar sem julgar esse sofrimento. Nesses momentos a ajuda de uma escuta profissional na área de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, poderia acolher esse estudante e se dedicar ao tratamento. A crise é um momento de muita angústia, mas é também um convite para o crescimento ao aprender lidar com essa situação.

O Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP 01/DF) vem a público prestar apoio e se solidariza com a toda a comunidade acadêmica: psicólogos da instituição, docentes, servidores, estudantes e estagiários que estão lidando com essas demandas na Universidade de Brasília. Sabemos que tem sido uma luta diária prevenir o suicídio. A estafa mental faz parte do risco do trabalho de vocês e enobrece tamanho esforço. A autarquia se coloca à disposição para auxiliá-los.

Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal – CRP 01/DF