Nota de repúdio: Intolerância religiosa e a perseguição à psicóloga Fariba Kamalabadi

nota-repudio-fariba

Por Marta Helena de Freitas

Caracterizada como uma atitude mental de inabilidade ou ausência de vontade para reconhecer e respeitar as diversas crenças religiosas de terceiros, a intolerância religiosa tem sido, ao longo da história, acompanhada de muitas outras decorrências danosas à saúde mental e às relações humanas, tais como: prisões ilegais, espancamentos, torturas, execução injustificada, negação de benefícios e de direitos e liberdades civis, terrorismos, destruição de propriedades, incitamento ao ódio, preconceitos, discriminações, bullying, humilhações em público, dentre tantas outras formas de desrespeito e grande barbaridade.

O Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP 01/DF), por meio da sua Comissão Especial de Psicologia e Religiosidade, vem a público repudiar caso paradigmático de intolerância religiosa ocorrido no Irã com a psicóloga Fariba Kamalabadi. Nascida em 13 de setembro de 1962 em Teerã, permaneceu durante 10 anos sob encarceramento, tendo sido libertada da prisão aos 55 anos com a idade, mas ainda correndo o risco de sofrer novas perseguições.

A psicóloga afirma acreditar que “hoje toda a sociedade iraniana sabe que ficamos presos por 10 anos sem culpa e totalmente sem evidências ou provas”, referindo-se à própria prisão e a de mais outros tantos colegas que professam a religião Bahá’í no Irã. Tiveram seus direitos de expressão religiosa profundamente desrespeitados e de um modo profundamente perverso e ilegal, que buscou se esconder por trás da acusação mentirosa de agentes do governo iraniano de que estavam todos envolvidos em ações de corrupções naquele país.

O CRP 01/DF manifesta publicamente o repúdio a este ato de violação aos direitos humanos, não apenas em solidariedade à psicóloga Kariba Kamalabadi, mas também pelos danos decorrentes desta ato, que compromete a saúde mental de todos os perseguidos e também de toda a população de um país onde as pessoas não podem expressar publicamente as suas opções de cultivo à espiritualidade, segundo suas crenças e segundo seus próprios modos de se organizarem existencialmente. Todo mundo conhece e pode identificar pelos princípios que são defendidos e divulgados pela Religião Bahá’í que não se trata aqui de nenhuma seita destrutiva ou que venha a contaminar a humanidade com ódio ou desavenças. Pelo contrário, trata-se de uma religião profundamente pacífica, que só tem procurado estimular o amor e a compreensão entre os povos.

Espera-se que os governantes de nosso país se manifestem contrariamente a este ato, colocando como condições de manutenção às parcerias com aquele país o exercício ético e o respeito aos direitos humanos para com todos os seus cidadãos, revertendo de uma vez por todas qualquer atitude de perseguição contra aqueles que não compartilhem a religião defendida por aqueles que hoje ocupam o poder como governantes de Estado.

Marta Helena de Freitas é professora doutora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília – UCB. É também coordenadora da Comissão Especial de Psicologia e Religiosidade do CRP 01/DF.