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Desconto de 5% no pagamento integral da anuidade até 28 de fevereiro de 2018

Lembramos que em fevereiro o pagamento integral da anuidade tem desconto de 5%. Sendo assim, o desconto é de R$ 28,81 e o valor da anuidade com desconto ficará R$ 547,31.

Quem tiver interesse de pagar com este desconto deverá entrar em contato com o CRP 01/DF, por e-mail ou telefone, solicitando o boleto para pagamento.

Entre em contato com o nosso Setor Financeiro pelo telefone (61) 3030-1010 ou pelo e-mail financeiro@crp-01.org.br.

Participe da roda de conversa O FUTURO DO TRABALHO, O TRABALHO DO FUTURO!

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Como a Psicologia pode contribuir com as novas configurações de relações de trabalho que estão surgindo?

Venha debater conosco no auditório do CRP 01/DF, com a presença de Helenides Mendonça (SBPOT). E mais:

- Inscrições de novos colaboradores para a Comissão de POT do CRP 01/DF
- Novidades sobre o CBPOT 2018

Dia 1º de março, às 19h.

Uma parceria entre a Comissão Especial de Psicologia Organizacional e do Trabalho do CRP 01/DF e a Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho – SBPOT.

Acesse a página evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/160408438099002/

18 de fevereiro – Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo: Entrevista com a psicóloga Janete Krissak

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Celebrado em 18 de fevereiro, o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo reforça a importância da conscientização sobre os perigos do consumo excessivo de álcool.

Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo da bebida no Brasil aumentou 43,5% em dez anos e agora supera a média internacional. Se em 2006 cada brasileiro com 15 anos ou mais bebia o equivalente a 6,2 litros de álcool por ano, em 2016 a taxa chegou a 8,9 litros, colocando o país na 49ª posição no ranking que conta com 193 países.

O levantamento da OMS destaca ainda que um total de 3,3 milhões de mortes por ano estão relacionadas ao consumo de álcool, o que representa 5,9% de todas as mortes de pessoas no mundo. Quando se considera apenas o grupo de pessoas entre 20 e 39 anos de idade, a taxa de mortes que têm relação direta com a bebida chega a 25%.

Como um depressor do sistema nervoso central, o álcool afeta gradualmente as funções cerebrais, provocando mudanças de humor, da capacidade de julgamento, do controle sobre habilidades motoras e do tempo de reação, além de respostas do organismo a questões relacionadas ao sono, concentração e  raciocínio.

A ação da bebida é o que motiva a intensificação de campanhas de órgãos de trânsito contra a interação do consumo de álcool com a direção de veículos. No Distrito Federal, segundo dados divulgados pelo Departamento de Trânsito (Detran), as autuações de condutores flagrados dirigindo sob o efeito do álcool cresceram 59,9% no ano passado, com cerca de 24,5 mil infrações registradas.

O conselheiro regional e chefe do Núcleo de Psicologia de Trânsito do Detran-DF, Luis Fernando Arantes, destaca que as leis relacionadas à concentração de álcool no sangue durante a condução veicular têm contribuído para a redução no número de acidentes no trânsito, convergindo às orientações da OMS.

“Considerando os custos das lesões por acidentes de trânsito para reabilitação de acidentados, gastos previdenciários e perda de população economicamente ativa, bem como esforços internacionais para redução de acidentes, o Congresso Nacional tem se mobilizado para a elaboração de leis que tornam mais rígidas as punições para a direção sob influência de álcool”, observa. “A integração das políticas é fundamental para a prevenção de acidentes e suporte aos usuários que necessitam de tratamento psicológico e psiquiátrico. O envolvimento da comunidade científica é essencial para a produção de conhecimento e orientação das políticas públicas, resultando em maior eficácia das estratégias de enfrentamento”, ressalta.

Com o objetivo de aprofundar as reflexões sobre o tema, convidamos a psicóloga Janete Krissak para uma entrevista ao Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP 01/DF). A psicóloga atua no tratamento da dependência de álcool e drogas no Distrito Federal há 39 anos. Psicanalista e especialista em dependência química, ela abordou as principais dúvidas sobre o alcoolismo, formas de tratamento, atuação da Psicologia e cenário das políticas públicas no Brasil. Confira:

O que caracteriza o alcoolismo e o diferencia do simples consumo de álcool?

O alcoolismo tem uma classificação na Organização Mundial de Saúde (CID-10). Então ele é reconhecido como uma doença, ou seja, é uma relação que o sujeito começa a fazer com o álcool em um crescente e a partir da qual ele desenvolve uma dependência física, química e psíquica, passando por alguns quadros um pouco mais severos, como a síndrome de abstinência. Ele compromete o organismo dele, desenvolve problemas gástricos, úlceras, problemas cardiológicos. Então existe uma ramificação no organismo também, comprometendo esse sujeito. Como sabemos que uma pessoa está sofrendo com o alcoolismo? Quase todo mundo bebe e todo mundo diz que bebe socialmente. Mas uma coisa é você ir para uma festa e, de repente, beber um pouco e ir embora. Outra coisa é você querer ir a uma festa para beber um pouco. E a terceira coisa é você querer beber e, por isso, procurar uma festa. Os valores da intenção em relação à bebida começam a mudar. Você começa a se fazer provocações para estar bebendo. Psiquicamente falando, nós desenvolvemos mecanismos de defesa. O alcoolista desenvolve três e compromete esses três, que é a negação, a projeção e a racionalização. Para a bebida, ele sempre tem uma explicação. Para a culpa, ele sempre tem uma pessoa e, se você diz que ele está bebendo muito, ele sempre nega. Então isso fica evidente no discurso dele. O repertório dele é pequeno, é curto. Ele não tem muita verbalização e, em termos gerais, o alcoolista é como diz o termo alcoólatra: ele idolatra o álcool. O alcoolista desenvolve uma dependência e a manifestação física acontece. Ele entra em uma crise severa e a parte mais forte dela é um delírio intenso que, se não tratado, leva a óbito. O álcool é uma droga depressora, então ela vai deprimir o sistema nervoso central, fazendo com que esse sujeito relaxe as suas defesas, a sua racionalidade. Então ele não é um depressor no sentido de beber e cair. Isso é no final.  Mas ele é um depressor no sentido de poder falar qualquer coisa e diminuir as suas censuras. Por isso é que o alcoolista fica uma pessoa chata, inconveniente, todo mundo sabe que o sujeito chegou. Esse é o perfil do alcoólatra.

Além dos sintomas característicos, o alcoolismo está ligado a outros tipos de sofrimento psíquico?

Normalmente o alcoolista acaba desenvolvendo a posteriori ou inicialmente algo comparece como facilitador. Por isso que a gente toma o sujeito como um todo, a experiência de vida dele, a forma como ele se relaciona, os sentimentos que ele tem. O álcool às vezes entra nesse eixo de aliviar ou alegrar. Eu sou uma pessoa mais triste ou mais inibida e o álcool tem esse potencial de ir mudando o meu humor. Isso pode ser um facilitador para desenvolver a dependência. Por isso que você tem que avaliar cada sujeito na sua singularidade, apesar dos sintomas serem muito semelhantes de um paciente para o outro. Mas o eixo que fez com ele desenvolvesse o alcoolismo é que é diferente. Não é só porque ele tem um negocinho no organismo dele.

Existe predisposição para o alcoolismo? É possível falar em prevenção?

Uma boa educação e uma boa orientação são formas de prevenção para qualquer tipo de distúrbio psíquico. Afetividade, família. Isso tudo são elementos imprescindíveis no desenvolvimento do sujeito. Uma criança esclarecida, uma criança que convive com a história da bebida, mas não de uma forma exagerada, exorbitante, que a família é mais saudável, que conversa com a criança, que explica, essa criança tenderá a ter menos possibilidade de desenvolver uma doença assim do que uma criança que está, por exemplo, no meio da marginalidade. É muito facilitador. Uma criança sente fome e ela descobre que, se ela roubar uma maçã, ela vai comer. Daí ela rouba uma maçã, daqui a pouco ela rouba duas. Daqui a pouco ela faz a feira. Daqui a pouco ela rouba uma casa. Então falamos de predisposição ou facilitação? Eu acho que é muito mais uma questão de meio social, educação e saúde. Esse tipo de prevenção é imprescindível para qualquer patologia, não só álcool e drogas.

Quando procurar tratamento? Há algum tipo de situação que a própria pessoa, um amigo ou um familiar pode identificar como sendo a hora de procurar ajuda profissional?

Normalmente quem está perto desse sujeito identifica bem mais rápido do que ele, exatamente por aquelas defesas que tratamos anteriormente. Mas a família também resiste em admitir, começa com planos mágicos do tipo “vamos parar de beber um pouco em casa”, “não vamos ter muita bebida em casa”, “não vamos muito a lugares que têm bebida”, “não vamos deixá-lo sozinho” e uma série de ginásticas que não vão adiantar porque, se ele já tem essa manifestação, já revela esse comportamento quando as pessoas vêem, ele já desenvolveu o alcoolismo. Então ele já está bebendo na surdina, já está bebendo escondido. Quando as pessoas enxergam, é porque já está instalado. Então a dificuldade é a família admitir e, uma vez admitindo, buscar a ajuda de um profissional. Lá ela vai receber orientação. Se essa pessoa é mais maleável e preocupada com ela mesma, porque existem pessoas que são mais conscientes, ela acaba pedindo ajuda de um profissional também. Dependendo da avaliação desse momento que ele está passando ou ele é passível de tratamento em consultório ou ele precisa se internar, fazer uma desintoxicação porque o tratamento implica abstinência, pois como chegamos no sujeito se ele está entorpecido? Então às vezes é preciso uma desintoxicação breve e, nos casos mais severos, uma internação mesmo para tratamento em regime de internação.

Em que consiste o trabalho do profissional de Psicologia no tratamento do alcoolismo?

Existem diferentes metodologias de acesso. Na clínica onde atuo, como somos psicanalistas, esperamos que o primeiro passo seja o indivíduo desejar saber o que acontece com ele. Então a primeira coisa que a gente vai trabalhar no sujeito é suscitar o desejo de descobrir o que ele não sabe, uma vez que ele perdeu a referência. Ele está fazendo coisas que ele diz que não quer fazer. Você pode ver que uma frase muito comum do alcoolista é “quando eu vi…”. Como assim “quando eu vi”? Onde estavam os seus olhos antes disso? Então a gente quer ajudá-lo a enxergar antes.  Eu estou vendo que eu preciso beber. Por que eu preciso beber? Por que eu não consigo parar de beber? Por que eu tenho que beber diante de tal situação? O que a bebida faz comigo? O que eu procuro com a bebida? O que ela fala em mim? Esse discurso todo a gente procura explorar. Diferente de um trabalho mais behaviorista, que é um condicionamento em função da abstinência. Você tem que parar de beber. O Alcoólicos Anônimos (AA) também ajuda muitas pessoas. Há um grupo de Narcóticos Anônimos que vem aqui porque muitas pessoas têm inclusive prejuízo cognitivo e eles precisam parar de beber para não morrer. Então existem linhas mais diretivas que visam a isso, uma abstinência. O nosso trabalho se dedica a uma vida mais prazerosa, não necessariamente bebendo, onde você possa conseguir superar suas dificuldades, ter prazer e entender por que você desenvolveu isso tudo, por que você precisou fazer isso com você. Nesse sentido, a abrangência do questionamento é maior.

Como é feito esse trabalho?

Alguns pacientes chegam aqui porque foram encaminhados, quer seja pelo seu trabalho ou porque a família trouxe. E eles vêm assim: “eu não sei por que eles mandaram eu vir pra cá”. É a negação. “Eu não quero, eu não vou.” Outros vêm em internação compulsória, involuntária. E esses são os mais resistentes. Tanto os mais resistentes como aqueles que vêm deliberadamente por vontade própria passam por uma avaliação clínica, psíquica, de enfermagem, fazemos todo um monitoramento, monitoramos soro, vemos se precisa de alguma medicação e vamos acolhendo esse sujeito. Temos uma equipe multidisciplinar de psicanalistas, psiquiatra, médico clínico, enfermeiro e terapeuta ocupacional. À medida que esse paciente vai ficando aqui, que os outros pacientes chegam perto dele, começam a conversar e ele fica um pouco mais à vontade, a gente faz um trabalho intenso individual. Todo dia, uma ou duas vezes por dia, ele é chamado para conversar com um profissional. E nessa conversa a gente vai se atrevendo a uma investigação. Ele faz uma empatia maior com um profissional e menor com outro. Quando se descobre isso, esse profissional com quem ele simpatizou começa a atendê-lo sistematicamente e individualmente. Para além disso, ele participa de dois grupos durante o dia, todos os dias da semana. Dois grupos de terapia. O que ele vê lá? Ele vê pacientes que acabaram de chegar e pacientes que já estão em um trabalho dinâmico. Então aquela pessoa que ele acha super legal também está contando os horrores que ele passou na vida dele, que são coisas que ele também viveu. E começa um processo de identificação. Ele diminui as defesas até que ele possa se vincular à clínica, se vincular ao profissional e abrir o jogo. E aí ele começa a se tratar. Nos primeiros dias é pura resistência. Alguns demoram mais, pedem alta antes do fim do tratamento. Mas as pessoas que conseguem seguir a proposta de trabalho, mesmo quando saem e recaem, ou seja, bebem de novo, eles voltam sozinhos. E eles não ficam lá fora bebendo por muito tempo. Eles bebem um ou dois dias e voltam para não retornar àquela espiral novamente. Então são pessoas que estão marchando, caminhando pra frente.

No que se refere ao alcoolismo, não se costuma falar em cura, mas há casos de internação, por exemplo, que chegam à alta. O que configura a alta? Quando a pessoa está pronta para ter alta?

Não se fala em cura justamente porque a cura que se prega é a abstinência, ou seja, o sujeito não pode beber mais. Na nossa visão, no entanto, existe uma cura sim porque é uma mudança de lugar. Se nós estamos em uma sala observando o que está ao nosso redor e nós trocamos de lugar, nós estaremos na mesma sala, mas vendo de uma perspectiva diferente. No ambiente, nada mudou, a gente é que mudou. Isso seria a cura do alcoolista. Ele vai ver o álcool de forma diferente. Então ele não precisa ficar brigando para não beber. Talvez ele não queira mais beber, talvez ele não sinta mais que precise daquilo. O álcool pode ser descartado. Então a diferença da abstinência que ele mantém não é porque ele não pode beber, mas porque ele não quer mais. E, nesse sentido, ele está curado. Algumas pessoas que eu acompanhei inclusive voltaram a beber socialmente depois de 10, 15 anos de abstinência. Mas é uma longa jornada porque você precisa saber o que está fazendo, ter uma consciência senão você fica assim “ah, daqui a 2, 3 anos eu vou poder beber!”. Isso não tem nada a ver com cura. Tem a ver com expectativa. E não é nada disso. É outra história. É uma mudança subjetiva.

Como você avalia as políticas públicas para combate ao alcoolismo no Brasil hoje?

Acho que estamos voltando a uma política pública muito mais repressora. Há um tempo fizeram um trabalho voltado para os dependentes químicos a partir da redução de danos, onde tivemos um resultado que considero muito bom, mas infelizmente não existe educação. O país quer trabalhar com metodologia que funciona lá fora, mas as pessoas não recebem educação antes disso, entende? Então as pessoas não têm informação, não têm educação. Eu acho que a política pública tem que começar com um trabalho dentro das escolas, visando a terceira geração. Só que é um investimento assim: você faz isso, o político que vem na sequência tem que continuar e o outro também tem que continuar. Não dá para cada um querer erguer a sua própria bandeira. Eu acho que o eixo norteador de um trabalho com resultado positivo na política pública teria que ser educação e saúde. Saúde tanto no eixo da prevenção como da assistência porque você não vai deixar as pessoas piorarem. E a educação deveria ser pensada a partir da prevenção. Acho que precisamos falar sobre isso, levar à mídia, que esse caos que às vezes vemos nos sirva de informativo. O problema muitas vezes também é que a política pública é feita por políticos e ela precisa também do profissional de saúde. É preciso que os políticos consigam se unir ao técnico para dizer “Olha, eu tenho mil reais. O que posso fazer com isso?”. A gente tem que fazer esses mil reais virarem cinco mil.  Tem que ter gente muita séria lá na frente para fazer a coisa andar. O país é muito grande e o povo precisa e merece ter respeito. Os técnicos precisam ser ouvidos porque não adianta fazer qualquer coisa só para dizer que fez.

Saiba mais

O Distrito Federal possui diversos psicólogos e psicólogas capacitados para o tratamento da dependência do álcool, atuando em colaboração com outros profissionais da área de saúde. Além dos grupos de apoio e serviços particulares de clínicas, consultórios e casas de acolhimento, nos Centros de Atenção Psicossocial com foco em álcool e drogas (CAPS-AD) é possível ter acesso público a uma rede de serviços. Você pode obter mais informações na página eletrônica da Diretoria de Saúde Mental (DISAM) da Secretaria de Saúde do DF: http://www.saude.df.gov.br/programas/536-diretoria-de-saude-mental-disam.html.

Participe da roda de conversa “Precisamos falar sobre coaching!”

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Roda de conversa “Precisamos falar sobre coaching!”

Dia 21 de fevereiro de 2018, quarta-feira, às 19h, no auditório do CRP 01/DF

Venha debater sobre as práticas de coaching tanto por psicólogos como por profissionais de outras áreas!

Código de Ética, limites de atuação e possibilidades de intervenção serão alguns dos temas abordados na oportunidade.

Convite os colegas e participe!

Nota de esclarecimento sobre a divulgação da prática de coaching

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O Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP 01/DF), no uso de suas atribuições como autarquia de fiscalização e orientação de profissionais de Psicologia e que presta serviço de proteção e acolhimento à sociedade para casos de condutas ilegais de seus inscritos, vem a público informar que está apurando às informações lançadas pela obra “O Outro Lado do Paraíso”, da emissora Rede Globo de Televisão, e seus desdobramentos nas mídias sobre a atuação de coaching por não psicólogos em temas e casos de competência do psicólogo e outros profissionais de saúde.
Informamos à sociedade que, em casos de suspeita ou abusos intrafamiliares comprovados, a Psicologia é a ciência referendada pelos profissionais de Justiça-  promotores e juízes da Infância e Juventude- bem como profissionais de Assistência Social, para ajudá-los em tais contextos. Utilizamos critérios científicos respaldados por pesquisas e métodos construídos e regulamentados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), como a escuta qualificada de crianças e adolescentes envolvidos em casos de violências, tendo em vista os danos que podem causar ao sujeito em desenvolvimento ao relembrar ou realizar de forma despreparada inquéritos e/ou perguntas que envolvem contextos de grande sofrimento psíquico.
O fenômeno de abuso e violência sexual contra crianças e adolescentes demanda conhecimentos de sexualidade humana, Psicopatologia, Psicofarmacologia, Psicologia Familiar, Psicologia de Casais, abordagem sistêmica, Psicanálise, Direito Penal, Vitimologia, Criminologia, relações de gênero, Psiquiatria, entre outros assuntos que são privativos de algumas carreiras e, em geral, são compartilhados dentro de condutas éticas para proteção e cuidado da vítima, do suspeito e de suas relações. Impacta em inúmeras instituições como Conselho Tutelar, Ministério Público, delegacias, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), consultórios, entre outras instâncias.
Esclarecemos que os profissionais de coaching formados no Brasil ora são psicólogos com registro, formados ou pós-graduados em coaching, ora são profissionais de outras carreiras e que, pelo fato desses profissionais terem uma formação superior diversa, podem não estar preparados para lidar com contextos psicológicos como depressão, ansiedade, violências, problemas na aprendizagem, luto, entre outros fenômenos que podem interferir na sua condução ou limitar sua atuação.
Informamos que não há órgão fiscalizador e de orientação profissional para proteger a sociedade de possíveis danos causados pela atuação profissional de coaches e aqueles que são registrados em conselhos profissionais diversos, ao utilizar conhecimentos e técnicas de coaching em seus atendimentos, não poderão ser orientados ou fiscalizados por seus conselhos profissionais porque estão realizando serviços com recursos desconhecidos de sua ciência e profissão de origem.
Consideramos que, embora a Rede Globo de Televisão e seu núcleo de dramaturgia tenham divulgado em nota que “as novelas são obras de ficção, sem compromisso algum com a realidade” e que reconhece a importância de todos os seus programas para discussões e reflexões sobre assuntos de interesse da sociedade, sua nota  demonstra que a emissora  reconhece  que existem outras maneiras de abordar o tema de forma mais ampla e responsável. Muito embora uma obra de ficção não tenha compromisso com a realidade, sabe-se que muitos conteúdos ficcionais são baseados em histórias reais ou pretendem alertar para situações da realidade, principalmente em uma temática tão complexa quanto o abuso sexual.
Inferimos que o discurso da personagem coach na trama faz referências diretas à realidade quando cita instituto de coaching brasileiro, referendando, inclusive, o nome de seu idealizador. Sabe-se que artistas partem de recursos e fontes da realidade para criar e recriar a fantasia e vice-versa. Por fim, a própria dramaturgia da rede de televisão citada teve grande influência com suas histórias ficcionais na luta contra violência de idosos em outra obra de ficção, Mulheres Apaixonadas (2003), que relatava violência sofrida por avós por parte de sua neta. “O drama de Leopoldo (Oswaldo Louzada) e Flora (Carmem Silva), um casal de idosos que era maltratado pela neta Dóris (Regiane Alves), comoveu não só a população, como também as autoridades”, afirma o site da própria emissora, demonstrando que sua obra teve influência na aprovação mais célebre do Estatuto do Idoso em 2003, isso para não citar outras repercussões importantes da própria emissora na luta contra outras violências no país.
Vale ressaltar ainda que o papel da Comunicação Social está descrito na Constituição Federal do Brasil no seu artigo 220, e embora a “manifestação do pensamento, a criação, a expressão e informação, sob qualquer forma não sofrerão restrição”, a liberdade de informação e criação não pode ser irresponsável e sem qualquer critério, pois existem meios legítimos de fiscalizar, principalmente quando esse direito vai ao encontro de outros. O próprio artigo 220 trata de que compete à Lei Federal regular entre outros § 4º A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso. No caso da trama, a personagem coach se apresenta com certificação e experiência, explica que o que ela pode realizar em uma terceira pessoa não é psicoterapia porque não é psicóloga, mas afirma que o coaching usa “ferramentas mais rápidas”.
A emissora é uma concessão pública e sua produção e programação deve dar:
I – preferências a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Uma pessoa que sofre abuso pode procurar um profissional de coaching, de fato, pois não há proibição legal para ninguém em sofrimento ou dúvida pedir orientação de qualquer profissional. Na trama “O Outro Lado do Paraíso”, a personagem supostamente abusada é indicada por uma amiga a procurar a advogada coach para ajudá-la nesse contexto. Entretanto, embora não haja conselho profissional de fiscalização da profissão, existe um código de ética do coach que diz que sua formação e certificação o capacita para atuar apenas em atendimento aos clientes de coaching, ou seja, as técnicas e métodos não podem ser aplicadas de forma indiscriminada e sem contexto.
Por fim, o CRP 01/DF considera que há profissionais competentes em várias carreiras, mas alerta para os limites teóricos, técnicos e éticos de cada profissão. Orienta a sociedade para o que considera uso indevido de teorias e técnicas psicológicas por profissionais sem formação na área, pois para cada técnica ou recurso psicológico existe um método e uma teoria que o embasa e é necessária sua compreensão e complexidade de sua relação com áreas correlatas como Desenvolvimento Humano, Psicopatologia, Neuropsicologia entre outras, ou seja,usar teorias como Psicologia Positiva, a técnica da hipnose e outras abordagens para diversos  fins de forma recortadas de sua base científica e metodologias originais podem configurar em danos para aqueles que não conhecem e se aprofundam em um campo tão complexo do saber como o psicológico.
CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DO DISTRITO FEDERAL – CRP 01/DF
XV PLENÁRIO

CRP 01/DF realiza solenidade de entrega de carteiras profissionais do mês de fevereiro

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Cerca de 80 profissionais receberam orientações iniciais sobre o exercício da Psicologia e sobre o funcionamento do Sistema Conselhos

Em duas solenidades realizadas nessa terça-feira (06), o Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP 01/DF) recebeu cerca de 80 profissionais para entrega de carteiras profissionais e orientações iniciais sobre o exercício da Psicologia na região.

No período da manhã, os profissionais foram recepcionados pela conselheira Mérian Borges e, à tarde, pela conselheira presidente Andreza Sorrentino e pelo conselheiro secretário Vitor Barros Rego. As orientações iniciais foram feitas pela psicóloga fiscal Marcela Ribeiro,que apresentou esclarecimentos sobre o papel, formas de atuação e serviços oferecidos pelo conselho, bem como sobre o funcionamento do Sistema Conselhos de Psicologia e principais resoluções para o exercício profissional.

O CRP 01/DF dá boas-vindas aos novos psicólogos inscritos:

ADRIANA DOS SANTOS OLIVEIRA – CRP 01/20509

ANA CECÍLIA MACÊDO DO NASCIMENTO – CRP 01/20552

ANA LUIZA FARIA LIMA – CRP 01/20537

ANABELLY TORMES DANTAS – CRP 01/20503

ANALIA CANDIDA ALVARENGA DE CAMARGOS – CRP 01/20468

ÂNTONY ALBERTO FERNANDES – CRP 01/20359

ARANNA KAROLINE DE PAIVA – CRP 01/20460

AURENIR NOGUEIRA DE SOUZA – CRP 01/20517

BRUNNA MELYSSA OLIVEIRA NOGUEIRA – CRP 01/20513

CAMILA MENDES SOARES – CRP 01/20457

CARLOS PULLEN PARENTE – CRP 01/20479

CÍNTIA ALVES DE OLIVEIRA – CRP 01/20454

DAHER HAJJAR CECILIO DAHER – CRP 01/20529

DEBORA DA SILVA BASTO – CRP01/20498

DÉBORA DE OLIVEIRA PORTO – CRP 01/20497

DEYSE ARAUJO MEDEIROS – CRP 01/20480

EDNEY SANTOS MACIEL – CRP 01/20453

EMERSON SOUSA ALMEIDA – CRP 01/20466

EMMANUEL IFEKA NWORA – CRP 01/20469

FERNANDA ANGELINI CARVALHO – CRP 01/20471

GABRIELA BERTOLOTO TAGLIOLATTO – CRP 01/20543

GABRIELLE MENDONÇA FERREIRA – CRP 01/20512

IANDRA COSTA IACCINO – CRP 01/20508

ISIS MONTANHA BARCELOS – CRP 01/20473

JAQUELINE MACEDO RODRIGUES – CRP 01/20446

JAQUELINE NASCIMENTO DE JESUS SANTOS – CRP 01/20476

JEFFERSON ROBERTO DE OLIVEIRA SANTOS – CRP 01/20455

JEICIANY MARIA DOS SANTOS LOPES – CRP 01/20514

JÉSSICA CUSTÓDIO DE SOUZA LIMA – CRP 01/20516

JÉSSICA VIEIRA BRITO – CRP 01/20554

JOSIANE AVELINO MAGALHÃES – CRP 01/20549

JUAN UBEDA GOMEZ – CRP 01/20490

JULIA ALVES KAMMULLER – CRP 01/20472

KAMILLA SILVA COSTA – CRP 01/20530

KAROLYNE MELO DA COSTA PEREIRA – CRP 01/20515

LAURA DO NASCIMENTO PERTENCE – CRP 01/20501

LAURA TOSTES CAMPOS – CRP 01/20443

LIDIANE GONÇALVES CALDAS DE SOUSA – CRP 01/20448

MARCIA GABRIELLA CARVALHO DA SILVA – CRP 01/20507

MARCIA REGINA LIMA RIZZO – CRP 01/20485

MARINA BITTAR SOUTO – CRP 01/20547

MÁRIO HENRIQUE RAYES DOS SANTOS – CRP 01/20447

MATHEUS GAGLIARDI CASTILHO – CRP 01/20538

MEIRE LOPES CONDES – CRP 01/20495

MILENY GOMES COSTA SOUZA – CRP 01/20474

MÍRIA DE AMORIM BASTIANELLO – CRP 01/20539

MONIQUE TOSTES PORTUGAL COSTA – CRP 01/20478

NATÁLIA LOURENÇO COELHO – CRP 01/20442

NAYANE LESSA UCHOA – CRP 01/20493

NÚBIA ROCHA CORRÊA – CRP 01/20555

PABLO STUART FERNANDES CARVALHO – CRP 01/20389

PALOMA BELÉM DE SOUZA CAFÉ – CRP 01/20524

PAOLLA KRYSTIE DE SOUZA DOS SANTOS – CRP 01/20502

PAULA VALÉRIO LORENZON – CRP 01/20532

PAULO CEZAR PEREIRA CRUZ – CRP 01/20470

PAULO VICTOR DELFINO DA ROCHA – CRP 01/20456

PRISCILA DE ALMEIDA SANTOS HAMDAN – CRP 01/20487

RAFAELA TORRES COSTA – CRP 01/20475

RAIANE NUNES NOGUEIRA – CRP 01/20534

ROMILDA MARIA CORREA – CRP 01/20118

ROSANE SANTOS DE MATOS – CRP 01/20461

ROSEMEIRE FRANCISCA DE LARA – CRP 01/20491

SAARA PINHEIRO RODRIGUES FEITOSA – CRP 01/20486

SARAH ABADIA DE SOUSA – CRP01/20441

STELA MARIA SANTOS DE LEMOS – CRP 01/20458

TAINÁH MARIA SANTOS – CRP 01/20465

TAMIRES MARTINS DA SILVA – CRP 01/20518

TAYANE NUNES GOMES – CRP 01/20550

TELMA PEREIRA DA SILVA – CRP 01/20492

THABATA SILVA DE ALMEIDA – CRP 01/20519

THAÍS DE OLIVEIRA LISBOA – CRP 01/20528

VANESSA ROSSANA VIEIRA MAIA – CRP 01/20536

VERA LÚCIA DE CASTRO PIRES – CRP 01/20548

VICKY CHAVES SARAIVA – CRP 01/20511

YASMIN ARAÚJO LEITE – CRP 01/20531

CRP 01/DF debate despatologização das identidades trans no CREAS da Diversidade

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Comissão Especial LGBT tratou da Resolução CFP 01/2018, que estabelece normas de atuação para as psicólogas e os psicólogos em relação às pessoas transexuais e travestis

O Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP 01/DF), por meio de sua Comissão Especial LGBT, participou na última sexta-feira (02) do “TransAção – Cidadania e Dignidade em Prol da nossa Visibilidade”, evento realizado no CREAS da Diversidade em parceria com diferentes entidades de defesa dos direitos humanos na região.

Na oportunidade, o coordenador da Comissão LGBT, Thiago Magalhães, abordou os principais tópicos da Resolução CFP 01/2018 (Acesse em: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/01/Resolu%C3%A7%C3%A3o-CFP-01-2018.pdf), que estabelece normas de atuação para os profissionais de Psicologia em relação às pessoas transexuais e travestis.

“Seguindo orientação do Sistema Conselhos de Psicologia, o CRP 01/DF tem atuado no âmbito do DF pela despatologização das identidades trans. Prestigiamos este evento propondo debate sobre a nova resolução do Conselho Federal de Psicologia que trata do tema e também estamos abertos para ouvir sobre possíveis violações de direitos que tenham sido cometidas por profissionais de Psicologia”, destacou Thiago Magalhães.

Psicólogas e psicólogos do CREAS da Diversidade também participaram do evento com usuárias e usuários da rede. O psicólogo André Peredo destacou o esforço dos profissionais pelo fortalecimento dos serviços públicos no sentido da promoção do direito à cidadania da população trans. “O CREAS de Diversidade Sexual, Racial e Religiosa e o Ambulatório de Atendimento às Pessoas Trans são serviços públicos que visam a garantir os direitos historicamente violados da população LGBT. No caso do CREAS, falamos de uma política de Estado. Aqui ocorre uma acolhida às pessoas LGBT que estejam em vulnerabilidade socioeconômica, violação de direitos ou mesmo discriminação. Historicamente, essas pessoas são apartadas do acesso às políticas públicas. No caso do ambulatório, trata-se de uma questão de atendimento em saúde às pessoas que tenham alguma questão de transição, ou seja, a chamada incongruência entre o sexo e o gênero”, observa. “Esses serviços seguem o movimento dos conselhos profissionais pela despatologização das identidades trans e, nesse sentido, é preciso destacar a resolução 01/2018 do CFP que vem acolher, em um perspectiva de vanguarda, essas proposituras, em um debate que vem ocorrendo internacionalmente. Na resolução, eu destaco o glossário. É preciso que as pessoas compreendam essas terminologias que vêm a favorecer a compreensão do que é diferente e respeitar a autodeterminação das identidades, no sentido da liberdade de ser, do direito à personalidade”, completa André Peredo.

Usuária do serviço, Kate Marrone ressalta o acolhimento que vem recebendo no CREAS da Diversidade. “Tenho sido muito bem acolhida. Fui trazida para cá quando fazia ponto no Núcleo Bandeirante. Tive problemas de homofobia em casa e aqui encontrei apoio. Infelizmente não tive sucesso com a minha família e tive que me afastar. Naquele momento, foi muito importante o auxílio com cestas básicas, as consultas de saúde e cursos profissionalizantes. Antigamente o preconceito me machucava muito, tanto o homofóbico como o religioso. Já passei por todos e hoje tenho outra forma de lidar com eles”, compartilha.

No evento realizado na última semana os presentes puderam participar de oficinas culturais, rodas de conversa e tiveram ainda assessoria jurídica oferecida pela OAB-DF e pela Defensoria Pública.